8. Thomas Mendonça

“Porífero Precioso”
Formen

Thomas Mendonça (b.1991, França), artista plástico licenciado pela ESAD.Cr, trabalha e reside em Lisboa. Os seus focos de interesse distribuem-se entre melodramas sentimentais, pop culture e a beleza da singularidade icónica no geral. A sua produção manifesta-se através de variadas tecnologias, embora com maior ênfase no desenho e na cerâmica.


“Poríferos Preciosos”

Estas peças são a representação dos poríferos recolhidos entre o oceano de amoníaco em Tritão, os vários mares subterrâneos de Ganímedes, Encélado, Titã e Mimas, um possível rio
de nitrogénio em Plutão, e os lagos sólidos de Ceres, Calisto e Europa. Elas são a tentativa concretizada de dar corpo à mistura entre os poríferos que por aqui conhecemos e aquilo que
eu imagino quando penso num mar gasoso na outra ponta do sistema solar. Fazem a ponte entre
as influências formais que colho nos campos de corais e o luxo que é poder fantasiar – sem medo – acerca do (quase) desconhecido. Por falar em luxo, estes poríferos não são feitos
de pedras preciosas e nada do que neles reluz é ouro, a sua preciosidade reside-lhe nas entranhas. Como nos meninos mais gentis, onde o interior conta acima de tudo, são os seus corações que melhor deverão ser preservados.
Todos estes animais que parecem calhaus – nem sempre providos de olhos – carregam em
si os meus sentimentos mais profundos, ainda que por vezes relativamente superficiais, dependendo da melodia de cada dia. As palavras inscritas nos seus interiores surgem com
o intuito de potenciar um fascínio de outra natureza para além do possível fascínio estético. Condicionando a sua visibilidade, estas podem muito facilmente passar despercebidas. Tudo isto ganha um sentido ainda mais profundo quando se trata de uma peça cujo interior é totalmente inacessível ao olhar e onde estas inscrições acabam por estar presentes sem propriamente existirem, uma vez que nunca se deixam revelar.
Creio profundamente na relação intimista que este jogo especulativo – acerca daquilo que poderá ou não conter uma determinada peça – estabelece entre o espectador e a peça em questão. Alimento essa relação pois agrada-me a ideia que terceiros possam descarregar
os seus próprios sentimentos e/ou inscrever mentalmente as suas próprias palavras no interior
de cada uma delas.